Honda Biz 125 2018: com tudo ela (ainda) combina?

CUB da marca foi renovada e apresentada no Salão Duas Rodas. Motocicleta foca no conforto e na praticidade urbana

16/02/2018 - Texto e fotos: Thiago Morneo / Fonte: iCarros

“Honda Biz, com tudo ela combina, só não combina com posto de gasolina”. Foi com esse mote que a Honda lançou a Biz lá atrás, em 1998, com foco na praticidade e na economia. O tiro foi certeiro. Hoje, o modelo está entre as três mais vendidas do Brasil e, após 20 anos, já conta com painel digital e freios combinados. Mas custa R$ 9.390 na versão 125 avaliada. E agora, ainda “com tudo ela combina”?

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Primeiro: o que mudou

Um primeiro olhar descuidado vai deixar a impressão de a Biz 2018 mudou pouco, mas o visual foi todo repaginado. Os piscas ficaram mais pontiagudos, assim como a nova lanterna traseira, inspirada pelo scooter PCX. Agora, todas as versões saem de fábrica apenas com partida elétrica. O escudo frontal também foi redesenhado e mostra um visual mais esculpido.

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Em termos de equipamentos, todas as versões da Biz saem de fábrica com sistema de freios combinados para se adequarem à legislação vigente para motocicletas. Nele, acionando-se apenas o freio traseiro, uma parte dessa força é enviada ao dianteiro mesmo sem o comando do motorista. A versão 125 passou a contar com painel de instrumentos digital.

Itens de série

Entre os principais itens de série da Honda Biz 125 2018 estão rodas de liga leve, freio a disco dianteiro, tomada 12V sob o banco, painel digital (com velocímetro, marcador de combustível, odômetro total, odômetro parcial A e B e relógio), cavalete central e indicador de economia de combustível. O espaço sob o banco é o suficiente para abrigar um capacete.

Mecânica

A Honda Biz 2018 usa um motor monocilíndrico arrefecido a ar e com comando no cabeçote (OHC). O conjunto é flex e alimentado por injeção eletrônica. A Honda declara que o propulsor é capaz de entregar 9,2 cv de potência a 7.500 rpm e 1,04 kgfm de torque a 3.500 rpm. Os dados valem tanto para gasolina quanto para etanol.

O câmbio é semiautomático de quatro velocidades com transmissão final feita por corrente. No caso da Biz, a embreagem é centrífuga, o que dispensa o manete para operação manual. O câmbio também é do tipo rotativo, que permite que se passe diretamente da quarta marcha para o neutro com a moto parada.

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O chassi é do tipo underbone. A suspensão dianteira, com garfos telescópicos, tem 100 mm de curso, enquanto a traseira, bi-shock, tem 86 mm. O freio a disco dianteiro tem 220 mm de diâmetro, enquanto o traseiro, a tambor, tem 110 mm. A roda dianteira tem 17 polegadas e pneu 60/100 R17, enquanto a traseira, de 14 polegadas, traz pneu 80/100 R14.

Nas medidas, a moto tem 1,89 m de comprimento, 0,71 m de largura, 1,08 m de altura e 1,26 m de entre-eixos. O vão livre em relação ao solo é de 131 mm, sendo que o assento está a 753 mm do chão. De acordo com a Honda, a moto tem peso a seco (sem combustível ou fluídos) de 100 kg.

Como anda

A semana que fiquei com a Biz 125 foi cortada pelo feriadão do aniversário da cidade de São Paulo (SP) e também por chuva fina ao fim de praticamente todos os dias. No geral, foram quase 200 km rodados para trabalho, lazer e uma passadinha rápida no mercado.

A primeira impressão que tive foi a de estar guiando um scooter da Honda, dado o guidão curto e os braços que ficam mais próximos do corpo. A posição da Biz ainda é “montada”, pois não há assoalho plano e não é muito fácil passar a perna por cima do chassi. Mas, no geral, é uma posição confortável para trajetos de cerca de uma hora. Mais que isso é possível que os pés se sintam incomodados, pois os tornozelos ficam bem dobrados.

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Da mesma forma que a Biz pareceu compacta guiando, ela deixou a impressão de ser pequena para quem anda. Sozinho, com 1,72 m de altura, me senti “justo” em cima da moto. Alguém maior poderia ficar mais apertado. Com garupa, precisei sentar mais para frente no banco. No entanto, a agilidade da moto entre os carros é notável.

O motor tem bom fôlego para levar o piloto em trajetos urbanos. Arranca bem, considerando a cilindrada e o tipo de câmbio. Estrada é algo mais complicado, pois mesmo sozinho tive dificuldade de manter 110 km/h em linha reta. A Biz parece preferir ritmos de vias expressas urbanas, até cerca de 90 km/h. Onde senti falta de potência mesmo foi apenas em ladeiras íngremes com garupa, aí foi necessário usar a primeira marcha (e ficar nela).

No entanto, sendo acostumado com motos convencionais, com manete de embreagem e freios acionados individualmente, devo confessar que tive dificuldade em me adaptar ao câmbio semiautomático e ao freio combinado.

Em 90% do tempo, nada diferente do normal. Mas naqueles 10% em que você precisa manobrar em baixas velocidades, tentei controlar a velocidade apenas com o freio traseiro, o que levou a frente a brecar junto. Quando busquei a embreagem para tentar contornar a situação, não havia manete de embreagem. Não causou queda, mas mesmo após sete dias andando com a moto, permaneci repetindo esse erro ao menos uma vez por dia.

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É preciso dizer que não é que não existe uma embreagem, ela só não é acionada pelo piloto, mas sim pelo movimento da alavanca de câmbio. Com o tempo, aprende-se o “timing” certo para fazer a redução de marcha juntamente a um pequeno toque no acelerador, para sincronizar a rotação do motor com a do câmbio, assim como em uma moto convencional.

E essa ação é necessária, pois reduzir sem esse macete causa trancos. Outra dica é não reduzir de segunda para primeira sem tirar completamente a mão do acelerador, pois a moto dá um tranco para a frente e empina. Não queiram saber como eu descobri.

Terminando minha série de “pataquadas” com a Biz, que me fizeram relembrar meus primeiros dias andando de moto, as novas alças de garupa ficaram pontudas. Não afiadas, mas o suficiente para a minha garupa conseguir enroscar e rasgar uma calça de capa de chuva.

Tenho certeza que boa parte do que foi dito acima não aconteceria com alguém com mais prática no campo das Honda Biz. Só consegui ver a genialidade da moto quando percebi que o problema estava mais em meu modo de condução do que na moto em si.

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Primeiro: os trancos de redução. Essa questão é facilmente solucionada pela própria moto. Por exemplo, ela tem torque o suficiente para passar lombadas e virar esquinas de terceira marcha, não há motivo real para reduzir. Se você já estiver de quarta marcha e o semaforo fechar, você pode parar e voltar diretamente para o neutro, sem passar pelas demais marchas.

Quando andei com garupa, percebi que a Biz demora para amortecer o impacto após passar em alguma ondulação. Ela fica pulando um tempinho depois. Achei que era defeito até ver que era de propósito. A Biz é uma moto muito vendida no interior do Brasil, não só nas capitais. Lá, asfalto, quando tem, é ruim. Então qual é o sentido de um amortecimento firme para estabilidade em altas velocidades se a moto é estritamente urbana?

A suspensão da Biz é um tanto mole mesmo, mas isso serve para não castigar quem pilota mesmo em terrenos irregulares. A Honda sabe para quem vende a moto. Junte a isso as rodas de 17 polegadas na frente e tem-se um conjunto mais preparado para asfalto mal cuidado e terra do que se vê em um scooter, por exemplo.

Outra vantagem: os porta-trecos. Sob o banco, uma capa de chuva completa, duas travas (estamos no Brasil, afinal), meu celular carregando na saída 12V e uma mochila vazia. Nada mal. Para ir trabalhar, pode-se colocar parte da capa dentro ou em volta do capacete e deixá-lo sob o banco, ou levar objetos mais sensíveis como papéis e documentos sem medo.

Depois de chegar em casa, tirei todas essas tralhas, fui ao mercado, levei duas sacolas de compras sob o banco e mais uma no gancho que fica ao lado da chave. Lembram-se da chuva que eu mencionei? Ela me pegou de surpresa no meio caminho, mas quem ficou surpreso mesmo fui eu, pois cheguei em casa com as pernas e o sapatos relativamente secos.

É difícil falar de economia, pois rodei cerca de 200 km com a moto rodando com gasolina e não precisei abastecer. Das seis marcações no painel, cheguei na última, mas não bateu reserva. Mas, mesmo assim, o tanque inteiro tem 5,1 litros. Para enchê-lo completamente, gasta-se cerca de R$ 20 (com a gasolina a R$ 4 por litro) e ainda roda-se mais de 200 km. Quero ver modal de transporte público que seja mais barato.

Conclusão

A Biz 125 é um meio de caminho entre a Pop 110i e o PCX 150. Isso está claro até pelo preço. Ainda tem a robustez e a capacidade de superar terrenos difíceis da primeira, mas com uma praticidade superior e tecnologia, como na segunda. Se você está cansado de pegar trânsito de carro ou de se espremer no transporte público - mas também não quer abrir mão de um pouco de praticidade - mesmo custando quase R$ 10 mil, a Biz 125 2018 ainda “combina” e é essa a receita de sucesso que mantém a moto sempre entre as três mais vendidas do Brasil.
 

 

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